Na Praia de Icaraí, em Niterói, a lua cheia paira como um clarão no breu da noite, iluminando o Museu de Arte Contemporânea, obra de Oscar Niemeyer que "lembra uma flor ou uma nave espacial flutuando sobre uma pedra que avança para o mar". As montanhas distantes, cobertas de névoa leve, sussurram segredos ao vento, enquanto o mar lambe as rochas com ondas preguiçosas. "A lua é a poesia da noite, o mistério que revela nossos sonhos mais secretos", evocando a sabedoria anônima que captura esse instante eterno.
Aqui, de Icaraí para o mundo, ecoa Cecília Meireles: "Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa". Sob essa lua, o horizonte funde-se em tons ocre e azul, com o Pão de Açúcar ao fundo como sentinela carioca. Drummond reflete no mar calmo: "O fato de o mar estar calmo na superfície não significa que algo não esteja acontecendo nas profundezas", inspirando olhares para as profundezas da baía de Guanabara. E Niemeyer, arquiteto-poeta, sonhava "uma forma circular, abstrata, sobre a paisagem", materializada nesse ícone futurista no Mirante da Boa Viagem.
A névoa abraça as encostas verdes, como se o tempo pausasse nessa boa noite. "Há uma espécie de céu no mar, onde as raias voam como pássaros, as estrelas dormem na areia", poetiza a tradição literária brasileira, pintando o espelho d'água ao redor do MAC. Torres de comunicação pontilham o céu crepuscular, ligando esse pedaço de paraíso ao pulsar global. De Icaraí, essa visão panorâmica de 360 graus convida à contemplação, unindo arte, natureza e o infinito.
Carlos Drummond de Andrade sussurra: "No meio do caminho tinha uma pedra", mas aqui as pedras de Itapuca e do Índio velam a praia, símbolos de Niterói. A lua, testemunha muda, ilumina o Caminho Niemeyer, segundo maior complexo do mestre no Brasil. Essa crônica viaja de Icaraí ao mundo, carregando a luz de Niemeyer, a melodia de Cecília e o mistério do mar, uma boa noite que perdura nos olhos e na alma.
© Alberto Araújo

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